Singular

Singular é um álbum construído a partir de estados internos. As canções não avançam em linha reta, mas se organizam em ciclos de percepção: pensamentos que retornam, imagens que insistem, sentimentos que mudam de forma sem desaparecer.

O disco se constrói nesse movimento contínuo, observando a experiência humana sem buscar resoluções fáceis. Há força e desgaste, silêncio e insistência. Mesmo nos momentos mais nublados, permanece a ideia de que algo continua, ainda que de forma frágil e que o fim de um ciclo não precisa ser o fim de tudo.

A solidão, presente em várias canções, não aparece como queixa nem espetáculo, mas como condição compartilhada. A despedida, a memória e a natureza surgem como paisagens internas: passagens onde a ausência encontra forma, o pertencimento ressurge e a lembrança oferece abrigo.

Singular não é um disco sobre vencer a dor, mas sobre conviver com ela, reconhecendo seus momentos, suas pausas e seus retornos. Um conjunto de canções que pede escuta atenta, permitindo que o tempo também faça parte da experiência.


Sobre o disco

Lançado como seu primeiro álbum solo, Singular nasce de um processo de criação profundamente individual. Todas as faixas foram compostas, gravadas e interpretadas por Rodrigo Garcia, que tocou violoncelo, guitarra, violão, baixo, bateria, percussões e teclados ao longo do disco, construindo um trabalho plural a partir de um gesto solitário.

Em entrevista ao Estado de Minas, Rodrigo descreve o álbum como resultado de um período de recolhimento e introspecção:

“Enfrentei a realidade do isolamento, da pessoa se voltar um pouquinho para si. Isso foi me saturando de ideias.”

Apesar do caráter solitário do processo, o disco revela uma ampla paleta musical com destaque para a fusão entre influências do rock britânico (especialmente os Beatles e os progressivos) e arranjos que transitam pelo folk, hard rock e rock progressivo, dialogando também com a tradição musical mineira.

O título Singular reflete esse paradoxo: um disco feito sozinho, mas carregado de múltiplas ideias, timbres e estados emocionais. Como o próprio artista observa:

“Foi algo psicologicamente muito difícil… tinha de falar comigo mesmo, em casa, no meu estúdio e tomar as minhas decisões completamente sozinho. Foi difícil, mas adorei o resultado.”
Scroll to Top